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Eles estão apenas procurando por proteção (...)Data: 07 de Junho de 2010Fonte: Alternative Press Tradução: Letícia, Gabriela Revisão: Pris Não foi exatamente os Hell's Angels matando um homem na plateia em Altamont, em 1969, mas quando um grupo de fãs pulou no palco, semana passada, durante a apresentação do All Time Low no Bamboozle Roadshow, realizado no Six Flags em Arligton, Texas, fãs foram atacados com spray de pimenta pelos seguranças do local. O incidente trouxe uma longa tensão entre bandas e seguranças dos shows à tona, gerando uma erupção de controversias pela internet. Em uma série de tweets após o show, Alex Gaskarth, o líder do All Time Low, respondeu abertamente com injúria. “Eu não ligo pro quão desorganizado o público é, não há desculpa para a polícia no Six Flags jogar spray de pimenta nos rostos de nossos fãs.” ele twittou. "Uma garota que parecia ter uns 15 anos veio até mim e disse que foi retirada da plateia depois de ter sido atingida. Só pode ser brincadeira." A reação dos fãs foi igualmente lívida, com grupos no Facebook como "Six Flags é um lugar seguro para todas as idades. Haha, estou brincando. Nós jogamos spray de pimenta nos rostos dos fãs de All Time Low" e "Foda-se a segurança do Six Flags" se tornando popular. Simone Hudgens, uma fã de ATL de 17 anos de Dallas que estava no show, criou o último [grupo no Facebook] . "Basicamente, o que aconteceu foi depois da última música do All Time Low, as pessoas começaram a subir no palco e a segurança não fez muito para pará-los." Ela explica "A banda estava relaxada com isso, eles estavam dizendo para nós como era legal as pessoas subindo ao palco, quando um segurança veio do nada, não apenas jogando spray de pimenta nas pessoas no palco, mas na primeira fila também. Eu fui pega, principalmente, no grupo de pessoas tentando sair do palco quando o segurança começou a jogar spray de pimenta." Hudgens disse que ela nunca percebeu aquilo como uma situação perigosa, até que os seguranças exageraram. "O único momento que eu percebi que os fãs estarem no palco tinha virado uma situação perigosa foi quando os seguranças começaram a jogar spray de pimenta em adolescentes. E foi aí que as pessoas começaram a surtar, porque eles não sabiam como reagir a isso, ao que estava acontecendo, ou o porquê de estarem jogando spray de pimenta neles, em primeiro lugar." Pela perspectiva do parque de diversões, isso foi uma infeliz - mas compreensível - reação dado a percepção dos seguranças, em seu dever. "O tumulto começou quando os membros da banda jogaram peças de roupas na platéia, durante a perfomance do All Time Low, no sábado à noite" disse Sandra Daniels, vice presidente de comunicações do Six Flags. "O pessoal da segurança do Six Flags pediu por assistência e um policial de Arlington atribuído ao concerto deu repetidas ordens para o público se dispersar. Essas ordens não receberam atenção e o público se tornou mais desorganizado. O policial notou que pelo menos uma pessoa estava com risco de ser pisoteada. Então, ele pediu a um jovem que segurava um dos itens jogados para a platéia para o largar. Ele se recusou e o policial usou spray de pimenta nele. Outros convidados próximos foram afetados e tratados por nossos ajudantes de primeiros socorros e liberados." Infelizmente, esse tipo de coisa não é tão incomum quanto se pensa. Contudo, se você passou algum tempo perto do palco em um show, você provavelmente já sabia disso. Alguns anos atrás, o baixista do Fall Out Boy, Pete Wentz, entrou em uma briga com um segurança, em um show em New Mexico, quando ele pensou que eles estavam sendo muito rudes com os fãs que queriam subir ao palco. Ano passado, o vocalista do A Day To Remember, Jeremy McKinnnon, atacou verbalmente um segurança na Florida, alegando que ele xingou um dos fãs. "Esses são os meus amigos, esse é o meu show e você não coloque suas mãos em um desses adolescentes" ele disse. Os membros do Forever The Sickest Kids e We The Kings também foram vistos discutindo com o Departamento de Polícia da Philadelphia em um show no ano passado. Não é apenas um problema na América. Bandas fazendo turnês pelo mundo tiveram discussões violentas com os seguranças repetidas vezes. Todo mundo parece ter uma história parecida, incluindo Tyler Hoare da banda de metal canadense Blessed By a Broken Heart. "Só porque eles vestem uma camiseta de segurança eles acham que isso lhes dá o direito de empurrar as pessoas" ele diz. Hoare foi levado a uma prisão, na Escócia, por alguns dias ano passado, após brigar com um dos seguranças de sua banda no show de Glasgow. "O show inteiro, esse cara tava empurrando os fãs e coisas assim. Ele era bem mais velho e bem maior que muitos deles. No final do nosso show, nós tinhamos essa música chamada "Microscope" e no clímax do final da música, todo mundo sobe e canta e se junta no palco. Esse cara começou a empurrar todo mundo para fora do palco." Para várias bandas de metal e punk, fãs pulando pelo palco é parte do percurso. Mas alguns seguranças ainda consideram isso uma afronta ao trabalho deles. "Não é como se você tivesse em um show do Pantera no qual você tem pessoas de 40 anos que vão se matar. Eram garotas de 15 anos cantando junto." Diz Hoare. "O segurança pegou uma garota pelo pescoço e jogou-a no chão. Eu tinha o microfone em minha mão e quando eu vi isso, eu o acertei no rosto. Ele era enorme, então eu pensei 'Se eu for bater nesse cara, é bom que eu bata bem forte.' Eu quebrei o nariz e o dente dele." Os problemas legais seguintes que ele teve com o sistema presidiário da Escócia foi um pesadelo, mas pelo modo que ele enxerga isso, ele estava simplesmente defendendo um de seus fãs. "Se a gente não quisesse eles no palco, nós não deixariamos eles subirem," diz Hoare. "E se os seguranças estão preocupados com os fãs quebrando o equipamento, bem, é o nosso equipamento." Ryan Neff, da banda de metalcore Miss May I, diz que bandas menores sofrem frequentemente com seguranças que tem grande senso de poder. "Eu acho que isso é baseado na freqüência com a qual as bandas são desrespeitadas por seguranças", ele diz. "No nível em que minha banda está, lugares menores tem seguranças que querem controlar todos os aspectos do evento do dia. Eu não consigo nem contar quantas vezes fui agarrado e puxado de lado e insultado ou amaldiçoado por causa de falta de credencial. As coisas podem facilmente se complicar para as bandas do mesmo jeito que para quem vai ver os shows." Em uma parada recente em Las Vegas, Neff viu uma fã ser ferida devido aos seguranças. O show "teve uma estranha quantidade de hostilidade vinda dos seguranças", ele diz. "Durante a apresentação de uma das bandas, um fã foi atirado do local do show para o estacionamento, onde sua cabeça foi esmagada em um carro. A cabeça do fã foi aberta e ele, obviamente, ficou muito chateado e atordoado. A pior parte foi que os seguranças, naquela noite inteira, trataram as bandas e os fãs com completo desrespeito, se gabando que não podiam esperar os fãs 'saírem da linha'". As vezes a agressão é diretamente direcionada aos artistas, de acordo com Dave Peters da banda de hardcore Throwdown, de Orange County, Califórnia. "Anos atrás, em um dos 78 shows que tocamos no Forward Hall em Erie, na Pensilvânia, havia esse grande segurança em pé no meio daquele espaço pequeno do palco, não só tampando a visão do povo para ver nossa banda feia, mas também arremessando as pessoas do palco, caso eles fizessem qualquer tentativa de subir nele ou pular dele. Eu tenho certeza que ele tentou me jogar para fora do palco mais de uma vez. Eu tive que apontar para o microfone e gritar para ele mais alto que a música, 'Ei, eu sou esse cara'. Esse profissional claramente treinado tinha o melhor interesse pelas pessoas no coração. Ser indiscriminadamente jogado do palco é muito mais seguro que pular dele sozinho. De qualquer modo, o mais inaceitável foi quando ele pegou um jovem pelo pescoço e o jogou no chão. O segurança foi educadamente convidado a se retirar depois disso." Peter também viu spray de pimenta ser usado nos fãs, como em um clube em Nevada, que agora está fechado. "Seguranças decidiram que o melhor jeito de parar uma briga era jogar spray de pimenta em todos, naquele quarto de 140 metros quadrados e teto baixo. Quer dizer, eles estavam certos: a briga parou repentinamente. Mas eles também atiraram spray de pimenta neles mesmos e em toda a banda no processo". O líder da banda Lovedrug, Michael Shepard, diz que as notícias do incidente do All Time Low não foram chocantes para ele. "Seguranças superzelosos não são novidade" ele diz. "É a mesma história, apenas rostos diferentes. Eu já vi essas coisas aparecerem antes. Você sempre pode dizer quando vai acontecer. Eu já vi narizes quebrados, garotas pisoteadas, pessoas sendo jogadas do palco. A qualquer hora que você misture uma platéia que queira se divertir com vários caras que querem ser heróis e mostrar sua masculinidade, a coisa vai ficar feia. Seguranças pensam que eles estão ajudando e sendo heróis, quando na verdade eles estão apenas piorando a situação. É o resultado das pessoas deixando a adrenalina chegar a eles, misturado com o desejo de ser forte. Isso não é pra falar que algumas pessoas não agem. Eu já testemunhei vários seguranças ajudando pessoas quando elas precisaram. Eu tenho certeza que é um trabalho intenso tentar controlar um público, mas quando você é agressivo, a platéia vai ser também. Na realidade, a platéia e os seguranças deveriam deixar a banda fazer o show." Shepard traz à tona algo frequentemente negligenciado: a segurança normalmente é boa. A maioria das bandas citadas nessa história esclareceram rapidamente que são agradecidas pelo trabalho duro dos seguranças em seus shows. "Eu vejo a segurança fazendo bem seu trabalho mais frequentemente que passando a linha em qualquer turnê", diz Peter do Throwdown. "Mas as bandas e os fãs sempre parecem lembrar do segurança que parece vindo de filme do Steven Seagal, não o que ajuda a carregar seu equipamento pro backstage e protege-lo de ser esmagado durante uma 'parte louca de mosh' no lugar da bateria." O vocalista do After Midnight Project, Jason Evigan, concorda. "Na maioria das vezes os seguranças sempre nos protegeram e progeteram os fãs", ele diz. "Nós precisamos deles e o público também. Eu conheci vários seguranças muito legais. Quando eu vou pra platéia, eles sempre me levantam para o palco e se certificam de que estou bem. Eu amo quando vejo seguranças cantando junto ou quando mexem suas cabeças." A maioria dos seguranças não são vilões, apenas caras normais realizando um trabalho. Eles são normais, grandes caras, mas normais do mesmo jeito. "Noventa e nove por cento dos seguranças são apenas caras fazendo um trabalho do dia-a-dia ou até trabalhando mais que o normal, fazendo isso como um segundo trabalho", diz Neff. "Eles são caras legais que tem a força e a habilidade de manter as coisas em ordem no lugar do show e ser alguém que toma conta dos problemas se eles surgirem." Jamey Jasta, do Hatebreed, concorda. "É um trabalho difícil e na maioria das vezes mal agradecido", ele diz. "Eu vi centenas de fãs terem suas vidas salvas por esses caras. Na maior parte do tempo, pessoas bêbadas na grade estão prestes a cair de cara e quebrar seus pescoços quando esses caras os pegam. É importante focar no grande bem que fazem, e não em algumas sementes ruins." Parte da tensão entre seguranças e fãs vem de uma falta de entendimento entre os dois grupos. Seguranças provavelmente não vão ter ideia de que os fãs atacam o palco no fim de quase todos os shows do All Time Low e os seguranças julgam isso uma aberração. "Isso costumava acontecer em um monte de shows, nos quais os fãs começavam a dançar loucamente e os seguranças não sabiam o que eles estavam fazendo", diz Hoare. "Eles acham que os fãs estão brigando, então esses seguranças atacavam e batiam neles". Steve Sullivan, um segurança de longa data, veterano que trabalhou na Warped Tour por 15 anos, diz que os desentendimentos são problemáticos. "Muitos seguranças nunca foram a shows, então eles não entendem o que acontece", ele diz. "Eu trabalho o tempo todo com caras que nunca nem viram um show fora do trabalho". Com a Warped Tour, há a percepção na segurança de que os fãs vão ficar assustadores ou violentos. Esse não é o caso. "Eles realmente não são assustadores. Eles são deixados e buscados pela mãe e o pai." Sullivam também destaca que shows voltados para públicos mais jovens são mais fáceis de lidar. "Os adolescentes sabem como ir a shows", ele diz. "Eles são resistentes. Eles se divertem. Não é o fim do mundo se alguns fãs sobem no palco. Você tem que se certificar que eles saiam em segurança e que ninguém ficará machucado, mas não é o fim do mundo". Jasta sugere que comunicação simples é a chave. "Ocasionalmente nós pegamos caras que não sabem nada sobre música pesada e eles ficam incomodados e deixam as emoções tomarem conta deles", ele diz. "Nós tentamos evitar quaisquer problemas, o nosso empresário encontra com seguranças antecipadamente e se certifica que eles sabem que é importante respeitas os fãs porque sem eles nenhum de nós tem um trabalho." Peter diz que treinar seguranças sobre como controlar seu trabalho também é importante. "Eu não culpo um monte de seguranças fanáticos por simplesmente serem eles mesmos", ele diz. "Eu culpo o cara que os contratou baseando-se no fato de eles se parecem Tim Sylvia [lutador de UFC], ao invés de suas habilidades para serem sensatos e controlar uma multidão. O trabalho deles é muito mais difícil quando ninguém os diz o jeito certo de fazê-lo. Você não pode mandar um cara pra casa com um VHS de Roadhouse e dizer 'Assista a isso e me ligue se tiver alguma pergunta.'" Então o que os fãs podem fazer para acalmar essa relação quente? "Os fãs devem lembrar que os seguranças não estão lá pra te pegar", diz Peters. "Se esse parece o caminho, você deveria se perguntar primeiro 'Eu estou bêbado?' Depois continuar isso. 'Estou sendo um babaca?' Se a resposta não for um óbvio 'não' pras duas, você está pedindo confusão."A responsabilidade é dos fãs de não intensificar situações como o incidente do ATL, diz Evigan. "Se um segurança está gritando com você e usando força, não diga nada. Apenas coloque suas mãos pra cima como se estivesse se rendendo. A música faz os adolescentes ficarem loucos e quererem dançar e dar mosh e surfar no público. Respeitem uns aos outros. O trabalho da banda é fazer um bom show. O trabalho do público é se divertir. O trabalho dos seguranças é proteger a banda e o público. Simples assim." * spray de pimenta: a palavra usada no artigo é mace, que causa efeitos mais graves que o spray de pimenta. no entanto, traduzimos como "spray de pimenta" para facilitar a leitura. |