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Jack Barakat escreve para o Editorial de Opinião da Alternative Press.
Data: Setembro de 2011
Fonte: Alternative Press
Tradução: Mariana Fonseca

Guitarrista/ bobo da corte do All Time Low, Jack Barakat nunca foi tímido na hora de falar o que pensa, apesar de, na maioria das vezes, vir com um humor meio "boca-suja". Quando Barakat entrou em contato com a AP para escrever um Editorial de Opinião, nos preocupamos que não fosse sobrar nada do artigo depois que o editor cortasse o 'indecente'. Por sorte, essa "auto-avaliação de um rockstar", como ele chamou se procedeu sem profanidades e é uma genuinamente interessante perspectiva no estado atual do clássico estilo de vida rock 'n' roll, que de acordo com JB está com os dias contados.


Enquanto eu revirava o motor da moto Ducati entre as minhas pernas e conferia o meu alvo no meio do hall do Beverly Hills Hotel-obviamente para garantir que o estrago fosse o maior possível- a última coisa que eu pensei foi "tomara que o meu cartão de credito pessoal não esteja na recepção do hotel". Tá bom, isso nunca aconteceu… Mas você já pensou se tivesse acontecido?
Eu entrei em contato com a Alternative Press há uns meses querendo escrever um artigo pra essa revista. Sou um leitor fanático há anos, e tem sido a realização de um sonho o All Time Low te sido retratado tantas vezes nela. A princípio eu queria escrever sobre a atual situação da indústria musical, mas considerando a bagunça que está, achei sem graça.
Depois de viajar pelo mundo interagindo com pessoas de todas as profissões, eu cheguei a conclusão que quase todo mundo quer ser um 'rockstar' em algum momento da vida deles. O mais interessante dessa premissa é a resposta que recebo quando lhes pergunto o por quê. "Garotas e festas, cara!" por causa disso eu resolvi gastar minhas 800 palavras esclarecendo esses enganos da indústria da musica, das turnês e da vida 'em banda' em geral.

Agora, eu não estou dizendo que eu sei tudo sobre o assunto, mas a minha banda, All Time Low, tem tempo de experiência. Já vimos muitas coisas, cheiramos muitas coisas, tocamos muitas coisas, provamos muitas coisas. Então vamos começar com o básico: sexo, drogas e rockn'roll - ou devo dizer; iPhones, Bud Light e backing tracks. Não é que não haja mais sexo e drogas nesse meio hoje, mas não são, com certeza, tão comuns quanto costumavam ser. Se você me perguntar a culpa da morte desse rockn'roll clichê é da internet . Hoje em dia a cena mais comum de backstage é mais inocente; membros da banda pegando leve com vodka-Red Bulls enquanto vasculham as reações deles no Twitter. Sei, sei, emocionante essa parada. A internet criou um lugar onde as pessoas podem falar do que se passa no backstage, no ônibus e ainda por cima comprovar com foto muito públicas. As pessoas tendem a ser mais prudentes quando seu nomes e reputações estão em risco.

A era do rockstar acabou. Esses dias ao invés de querer ouvir e sonhar com histórias de orgias de quartos de hotéis, fãs preferem encontrar a banda e ganhar um autógrafo numa camiseta. Drogas? Uma das razões pela qual drogas eram tão populares nos anos dourados (do rock) era devido a falta do que fazer dos integrantes. Nesse exato momento eu estou em um campo na Alemanha ouvindo Incubus tocar enquanto eu escrevo isso no meu iPad lotado com pelo menos 40 jogos, filmes, e outros aplicativos. Nós estamos nesse campo há umas 15 horas e se a internet não existisse eu provavelmente estaria usando drogas também, simplesmente pra combater o tédio. (eu acho que seja uma boa coisa estar ouvindo Incubus, por te faz sentir como se você tivesse usado acido. Ha!)

Enquanto eu penso nesta tal de vida rock'n'roll, eu gosto de pensar nas histórias loucas dos anos 60,70 e 80. Fosse Jim Morrison mostrando sua genitália em Miami, Led Zeppelin dirigindo motos pelos corredores do Chateau Marmont, Ozzy Osborne cheirando formigas com os caras do Motley Crue ou Mick Jagger comendo uma barra de chocolate do corpo de uma garota (mas e quem nunca fez isso?) me faz imaginar o que os autores de biografias vão dizer dessa nossa geração, eu já posso ver; "Foi um quente noite de verão em Hamburgo, os fãs esperavam as portas do popular hotel alemão. Quando Alex Gaskarth aos 23 anos olhava fixamente para tela de seu computador, frustração pairava no ar enquanto ele se esforçava para bater seu recorde no jogo Diablo 3."
Olha, eu não estou dizendo que bandas não se divertem que nem loucos às vezes. Cara, eu lembro acordar de uma noite selvagem em Pitsburgo com o nosso empresário da turnê tentando acalmar o dono do hotel - aparentemente na noite anterior nós passamos dos limites. Eu vou pular os detalhes incriminadores, mas vamos dizer que a noite acabou com o nosso vocalista correndo pelado saindo do hotel com uma TV de tela plana que ele tinha roubado do quarto.

"Momentos de rockstar" ainda acontecem, mas infelizmente pros historiadores, bem mais esporadicamente.



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