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Alex Gaskarth fala sobre sua vida pessoal e problemas familiares
Data: Abril de 2011
Fonte: RockSound
Tradução: Gabriela Queiroz e Letícia Longo

A maioria das pessoas sabe que você mudou da Inglaterra para os Estados Unidos quando era novo, mas o que eles não sabem sobre o começo da sua vida?
Meu pai casou de novo. Ele teve filhos quando era bem novo e acabou se separando da primeira esposa. No começo, ele casou com ela quando soube que eles teriam filhos, mas não deu certo. Eu nasci um pouco depois, então eu tenho duas meio-irmãs e um meio-irmão. Minhas irmãs são bem mais velhas que eu, já que meu pai não quis casar por um tempo.

Como foi crescer com uma família de um relacionamento passado?
Bem normal. Eu sou o único filho que meu pai e minha mãe tiveram, mas eu os via bastante. Tinha uma grande diferença de idade, então enquanto eu nasci e crescia, minhas irmãs já tinham ido embora e estavam fazendo suas próprias coisas, mas meu meio-irmão tinha sete ou oito anos a mais que eu, então ele ficava um pouco mais próximo. Por isso ele mudou pros Estados Unidos conosco.

Como era sua relação com seu meio-irmão quando vocês eram novos?
Era muito boa, ele realmente agia como um irmão mais velho pra mim, mas tínhamos alguns anos de diferença pra sermos muito próximos. Nós não tivemos muita fraternidade/amizade íntima, mas era sempre bom tê-lo por perto e foi demais ter alguém pra ensinar coisas.

Quando as pessoas perceberam que ele tinha problema com álcool?
Eu não sei. Definitivamente foi quando estávamos nos EUA, mas eu era tão novo que perdi muita coisa. Eu não sabia disso logo no começo, então é difícil responder.

Tinha muito desentendimento em casa enquanto o problema crescia? Você lembra de muitas brigas?
Com certeza. Chegou em um ponto critico que era impossível ignorar. Como alguém que era relativamente novo, ele não sabia o que era melhor pra ele e, no fim, ele ganhou a briga e voltou pra Inglaterra. Foi mesmo uma coisa que eu percebi, mesmo não tendo entendido tudo na época.

Foi o pior dia da sua vida quando descobriu que ele tinha morrido?
Sim. Eu tinha doze anos na época e ele tinha vinte e um quando morreu. Ele estava cada vez mais fora de controle, assim como muitas pessoas com esse problema ficam. Foi muito triste e realmente muda a pessoa. Eu não digo que você não deveria beber - acredito na escolha do usuário - mas definitivamente me fez ter certeza que não há traços dessa tendência em mim, por causa das minhas experiências.

O quanto isso afetou a família quando vocês o perderam? Não pode ter sido fácil aquela situação.
Foi devastador para todos nós perder um membro da família, afetou todos nós. Eu não consigo imaginar ou descrever como meu pai deve ter se sentido perdendo um filho, mas ele é a melhor pessoa que eu conheço e lidou muito bem. Foi algo que fez todos crescerem.

Quando você e seu pai falaram disso?
Não foi tudo de uma vez; você cresce, descobre algumas coisas e fica mais claro. Foi um aprendizado. Não teve uma hora específica que meu pai e eu falamos sobre isso e nem que eles estavam escondendo a verdade de mim o tempo todo. Eu acho que eu percebi mais as coisas ficando mais velho.

Algum dia ele já se preocupou em você desenvolvendo algum problema similar, com a banda entrando em turnê?
Não, ele não se preocupou. Nós temos um relacionamento bom e ele sabia que a história não iria se repetir. Quando você está próximo à uma situação, você aprende com isso. Você aprende os prós e contras de tudo que está envolvido com isso, então nós tivemos certeza que não veríamos aquilo de novo.

Por que esses tópicos parecem ficar por fora das músicas do All Time Low?
Primeiramente, nós temos músicas que tratam sobre essa parte mais sombria da vida como Therapy, Lullabies, Remembering Sunday e Stay Awake. Eu acho que eu sou uma pessoa que tende a ficar mais próximo ao lado bom da vida, eu sou assim. Mas quando nós começamos essa banda, nós tínhamos uma ideia clara do que queríamos ser, nós decidimos evitar a melancolia e qualquer lembrança do passado, então nós poderíamos escrever mais sobre o lado bom. E como continuamos, nós deixamos essa parte tomar conta e eu acho que isso define o que a nossa banda é.

Você mudaria isso agora, se pudesse?
Essa banda tem uma imagem que para muitas pessoas, se desenvolveu como uma dimensão só. As pessoas pensam que somos caras felizes que falam de festa o tempo todo, mas eu acho que as pessoas que realmente conhecem a banda, os fãs que realmente conhecem nosso trabalho, sabem que nós fazemos mais que isso. Eu não sei se eu desejo, ou me importo, que as pessoas saibam mais de mim e da minha vida; contanto que as pessoas gostem das músicas e consigam conectar isso à algo, isso é o que realmente importa pra mim. Tirando isso, não é um peso pra mim. Eu não estou tentando mostrar um outro lado de mim ou provar algo pras pessoas. Eu não estou implorando pras pessoas escutarem minhas histórias tristes e perceber que nós somos mais do que se vê em fotografias. Nós estamos nos divertindo e as pessoas podem seguir isso e procurar aprofundar isso o quanto quiserem.



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